O MUPA regressa a Beja nos dias 16 e 17 de julho

| Julho 7, 2021 9:03 am

A segunda edição do MUPA – Música na Planície vai acontecer nos próximos dias 16 e 17 de julho em Beja. Tal como no ano passado, a missão do MUPA é cruzar gerações, costumes e géneros musicais, criando assim uma aliança entre a música ao vivo e a memória coletiva do Centro Histórico de Beja. Nesta edição, os locais em destaque serão o Cine-Teatro Pax Júlia e o Jardim Público, que receberão artistas dos mais variados estilos.

No dia 16, o Pax Júlia abre portas para dois concertos gratuitos de André Gonçalves e Gabriel Ferrandini. Tratam-se das únicas atuações grátis do evento, sendo necessária inscrição prévia. Nessa sessão, as estrelas serão duas. O lisboeta André Gonçalves, que tem trabalhado principalmente nos domínios da música ambient, mas cujo recente Instrumentals é feito de composições eletrônicas para instrumentação acústica controlada por tecnologia digital. A outra é Gabriel Ferrandini, conceituado e importante baterista de free jazz que continua a testar os seus limites criativos com o novo álbum Hair of the Dog, que já sai fora da caixa do jazz e entra nos domínios da composição contemporânea, envolvendo arranjos corais, de cordas e de sopros. Pode-se esperar uma atuação que vai fazer vibrar toda a sala com as pulsações firmes vindas de uma percussão que respira liberdade.

Ainda na sexta-feira, o Jardim Público servirá de palco para Bleid, (Von) Calhau!, Maria Reis e Pop Dell’Arte. Bleid já passou por vários pontos espalhados pela Europa, regressando às planícies alentejanas para um set mais ligado ao drone e a trabalhos mais do domínio das texturas, adaptados à cenografia de concerto dos tempos correntes. Maria Reis tem escrito das canções mais acutilantes e directas da música popular portuguesa contemporânea, aqui servidas como banda sonora de uma bela tarde quente de verão (oxalá). Os veteranos Pop Dell’Arte continuarão com a sua fórmula: distorcer a música pop a seu proveito e criar assim um rock experimental ao qual é difícil desviar a atenção, com o mesmo arrojo e crivo em 2021 que quando iniciaram percurso há mais de 30 anos atrás. Marcará presença ainda o duo (Von) Calhau!, que desde o início de século fazem música, performance e todo o tipo de práticas no campo das artes plásticas. Progressivamente o seu  assunto é cada vez mais a palavra (dita, redita, reconfigurada, escrita, pintada, desmontada) nos mais variados formatos físicos, auditivos, visuais. A cada vez uma cerimónia livre, inesperada, crítica e cheia de horizontes.

No dia seguinte, o Pax Júlia receberá Tó Trips. Membro dos Dead Combo, faz da guitarra o que bem quer, bebendo do blues, do jazz ou da música popular portuguesa. Ao entrar no Cine-Teatro, passamos a testemunhar uma interação íntima e pessoal entre Tó Trips e a sua
guitarra, que neste rearranque de actividades de música ao vivo tem batido muitos palcos, pelo que o Tó vem com andamento (como se quer). Já no Jardim Público teremos a presença de Landim, fundamental rapper da linha de Sintra que representa e eleva as várias realidades da rua, do espírito e da experiência humana – crioula, e uma. Mazarin, quarteto de jazz originário de Beja com músicas repletas de harmonia, invocando um espírito noturno que é enfatizado pelas carregadas inspirações no hip-hop instrumental. Pista, um trio com raízes no Barreiro que se especializa em fundir o indie rock com afrobeat, criando uma experiência um quanto alegre e tropical – uma espécie de personificação sonora do verão em si. Scúru Fitchádu, que já provou em diversas ocasiões aquilo que parecia impossível: pôr o funaná tradicional na mesma mesa que a estética furiosa do punk. Vindo de Évora, Xesy apresenta o seu álbum the forest beyond the bottle. Lançado no ano passado, o projeto mistura eletrónica mais aventurosa com o hip-hop e vários outras outras fontes vocabulares, procurando e encontrando princípios de uma voz própria e original.

Devido às normas da Direção Geral de Saúde, optou-se por uma versão reduzida do festival e com normas de segurança. Contudo, com todos os nomes referidos acima, assegura-se uma qualidade artística semelhante à da edição anterior, mantendo-se assim aceso o desejo de
divulgar um variado número de géneros musicais ao público do MUPA e de dinamizar a cidade de Beja e fixá-la como um ponto festivaleiro no nosso país. O bilhete terá um custo de 13 euros (passe) e de 7 euros (bilhete diário), sendo adquirível nos pontos de venda habituais ou em www.festivalmupa.pt.

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