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You Can’t Win, Charlie Brown
Marrow

| Outubro 2, 2016 3:49 pm



Marrow // Pataca Discos // setembro de 2016 

7.7/10

Os You Can’t Win, Charlie Brown são uma das bandas
alternativas portuguesas mais respeitadas e conceituadas. Constituída por Afonso
Cabral, Salvador Menezes, Luís Costa, David Santos, Tomás Sousa e João Gil,
esta já lançou dois álbuns e um EP e tocou em alguns dos principais festivais
portugueses, o que faz com que Marrow seja um dos álbuns nacionais mais esperados
do ano.

O disco inicia-se com o single “Above the Wall”, marcado
pela sonoridade retro do teclado e pelo som incisivo da guitarra. A intensidade
da canção vai aumentando ao longo da sua duração, num crescendo eficaz. Não é
uma das melhores músicas do disco, mas serve bem como introdução e ponto de
partida para a viagem musical que se segue.
“Linger On” começa com um bom riff de guitarra, mas não tem
nenhum elemento ou secção marcante e torna-se desinteressante. Acaba por passar
despercebida, especialmente porque é sucedida por “Pro Procrastinator”. Esta é a
música que mais se destaca no álbum. As melodias da voz são catchy e as frases
de baixo e guitarra funcionam muito bem. Tal como é comum nas melhores
composições dos YCWCB, os vários instrumentos complementam-se perfeitamente tocando
melodias diferentes, sendo que todas merecem a nossa atenção. Em diferentes
secções são encontrados sons e níveis de intensidade distintos, criando alguma
variedade sem comprometer a coesão ao longo dos seis minutos.

“Mute” é outro momento notável. Uma canção calma, marcada
desde o princípio pelo som melancólico das guitarras. A atmosfera muda em “If I
Know You, Like You Know I Do”, onde o groove do baixo serve de base para uma
música dançável e animada. “In The Light There Is No Sun” tem uma sonoridade
minimalista e folk durante dois minutos e meio. Depois, começam a entrar os
vários instrumentos e sobe a energia.


Segue-se “Joined by the Head”, uma música com uma sonoridade
típica dos YCWCB. É boa, mas não é especialmente memorável em nenhum aspeto. “Frida”
tem algumas excelentes linhasde baixo e um bom uso de instrumentos de corda e
voz. É uma canção que se torna melhor com várias audições, uma das melhores em
Marrow. “Bones” é a faixa final. Não me agradou muito quando ouvi pela primeira
vez, mas prendeu-me em audições seguintes, quando estive com mais atenção aos
pormenores e comecei a conhecê-la melhor. É neste momento a minha segunda
preferida do álbum e poderá ficar com o primeiro lugar em breve. Uma música longa
e explosiva, adequada para ser a última. A certa altura, a progressão harmónica
muda para uma parecida com a de “Be My World”, também dos YCWCB, e inicia-se um
crescendo de vários minutos. A energia aumenta e é alcançada uma sonoridade
épica e por vezes triunfante, a fazer lembrar de certa forma “An Ending”, que
termina de maneira incrível o primeiro álbum da banda. “Bones” peca apenas pelo
seu final exageradamente abrupto, quando havia potencial para alongar a música
e torná-la ainda mais espetacular.

Marrow é um álbum consistente, composto quase de uma ponta
ou outra por boas canções. Não é genial nem surpreendente, provavelmente não
irei recordar muitas vezes a maior parte das suas músicas. No entanto, há
outras que se conseguem destacar muito pela positive e é um álbum que
provavelmente irá agradar à maior parte dos fãs dos lançamentos anteriores da
banda. Num país onde a quantidade de bons projetos musicais vai aumentando e
cada vez mais artistas conseguem, de uma maneira ou outra, alcançar algum
sucesso, os YCWCB mostram novamente a sua qualidade e justificam a relevância
que lhes é atribuída. 
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